Pular para o conteúdo principal

Relações superficiais e a profundidade intencional

Observando essa nova  cultura, quando alguém diz: "conheço fulano" o significativo de conhecer não me parece muito com o que realmente a palavra quer dizer. 

Conhecer em sua íntegra significa: O processo de construir familiaridade com uma pessoa, indo desde o primeiro contato até a compreensão de sua personalidade, valores e história de vida. 

Esse processo se aprofunda através da convivência, da empatia e da partilha de experiências. Na linguagem das escrituras, o verbo "conhecer" (frequentemente traduzido do hebraico yada) possui um significado mais profundo de intimidade. 

Hoje o que me parece é que as pessoas não procuram exatamente se aprofundar, conhecer com intencionalidade, mas saber um pouco sobre alguém e já se sentem satisfeitos. Só que conhecer é diferente de saber sobre

Saber algo sobre alguém - fulano fala assim, gosta disso, mora em tal lugar e etc, não é conhecer alguém. O ato de conhecer envolve maiores ações de intencionalidade e proximidade. Aquilo que vemos nas redes, ou escutamos de longe, não pode ser o verdadeiro conhecer. 

Tendo em vista essa dificuldade que tenho observado, penso que ela se deva também ao fato de que as pessoas geralmente costumam falar muito sobre coisas, pessoas e ações ao invés de gostos, emoções, desejos e sonhos... além de não demonstrarem grandes habilidades quando se tratar de ouvir o outro com atenção e interesse.  A maioria está a postos com uma resposta pronta, como se tivesse uma receita preparada de como uma conversa deve se desenrolar. Por aqui isso é o que parece ser o "normal". 

Mas, não tenho me encaixado muito bem nesse perfil (e na verdade nem quero), pois eu admiro o inverso disso. Admiro quem ao abrir os lábios fala mais sobre outras coisas, maiores, melhores, mais elevadas, do que sobre rotina, o que fulano ou ciclano fez, ou se está sol ou chuva. Admiro pessoas que falam com intusiasmo, de coisas graciosas, edificantes, profundas. A verdade de Deus, o amor, as boas dádivas... que falam de emoções, sentimentos, coisas que sejam virtuosas e eternas. E que gostam de ouvir o outro falar, que param e escutam intencionalmente. Que queiram saber muito além do que simplesmente onde moro e onde trabalho, mas como me sinto sobre onde trabalho e onde moro. Sobre o que minha alma admira e meus olhos vislumbram. 

Pensei algo comigo mesma: talvez o que tenha levado as pessoas a falarem tanto sobre elas mesmas, sobre a rotina e sobre pessoas, seja o fato de que quase ninguém esteja disposto a parar, ouvir e dialogar com zelo coisas profundas. Talvez o medo de expor e não ser entendido, de Talvez errar e não ser aceito, ou ser tido como estranho. Não ser entendido, não ser querido... talvez as pessoas só se adaptaram a uma caixinha onde ensinaram que ser vulnerável pode "não dar bom", uma caixinha onde diz que o normal é esse e você deve se encaixar nisso.

O que pra mim soa triste, admito. 

Em meio a esse observatório, apesar dos desafios, tenho gostado de ser eu. Falar pouco, ouvir com atenção, mostrar interesse, e quando falar procurar coisas que não sejam supérfluas mas profundas e que edificam, consolem, alegrem... o eterno me chama muito mais atenção. 

A vida é tão breve pra perder nosso tempo falando sobre quem vai e quem volta. Quem sobe e quem desce... no final nada disso vai importar. Mas apenas aquilo que é eterno, durável, amável...

Ainda estou vendo formas de como me ambientalisar num ambiente assim, e não deixar de ser eu, pelo contrário, usar isso como uma oportunidade pra ser eu. Como uma borboleta que sobrevoa a caixinha, mas nao entra nela. A toca mais não entra. 

Oh, e quem sabe, não chege o dia, que quem está na caixinha ao me ver voar possa também desejar alçar voo e então sair de onde está?Quem sabe? 

Bem, que Deus me ajude a concentrar minhas forças no realmente conhecer, desfrutar, aprofundar. Mesmo que isso signifique não me encaixar, e não ter tantas pessoas ao meu lado. 

Sei que Deus faz tudo certo, ao seu tempo e de forma apropriada. 

Obrigada Senhor, por me fazer voar! 🦋

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Minha fraqueza Grita

“Mas Ele me disse: “Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.  2Coríntios 1:9 Esse período pre wedding tem sido muito intenso. E eu tenho percebido com clareza minhas fraquezas sendo expostas, e meu coração gritar querendo que tudo seja conforme eu imaginei.  Pois bem, essa é minha fraqueza de anos, querer que as coisas sejam feitas a minha maneira. Do meu jeito e no meu tempo. Querer que por planejar demais, as coisas ocorram assim como eu planejei (ja que planejo tanto, nao é justo que não seja como o planejado, não é mesmo?) Por alguns anos luto contra essa crença, de que as coisas devem acontecem conforme o planejado. O que trás inflexibilidade e intolerância à frustração, imprevistos, a planos novos, a mudança de planos. E etc Nesse período de noivado, obviamente como planejadora que sou, eu já havia estabelecido a forma e data dos eventos acontecerem. Mas na prática, aaahh na prática é outra coisa rs O tempo que é pouco. É imprevistos....

Deixa ele correr! 🎶

  REVIW DO FILME TURBOOO   Hoje eu e meu esposo terminamos de assistir o filme Turbo. Uma animação da Disney, cheia de aventura, superação e sonhos.  Theo é um caracol de jardim que apesar de sua natureza lenta, sonha em ser um grande piloto de corrida. A lição geral é que com determinação e coragem, podemos realizar nossos sonhos, independentemente de quão improváveis pareçam ser.  Diante dessa temática, quero trazer aqui, nove aprendizados desse filminho que foi muito legal de assistir. Então apertem os sintos e vamos lá! Aprendizado 1  Não se limite a sua realidade  Theo é um pequeno caracol, que vivia numa comunidade de caracóis, sua vida se limitava a recolher tomates podres do jardim. Porém, muito corajoso viu além daqueles tomates podres e percebeu que ele poderia fazer algo além disso e que poderia ser mais rápido do que imaginavam. Seu sonho era correr. Ser tão veloz quanto seu ídolo da TV - um corredor de fórmula 1.  Aprendizado 2  Não p...

Toda dor é por enquanto

  Dias, Meses, estações  Sabe o que tudo isso tem em comum? Elas passam. Emoções, situações, nada disso dura para sempre.  Venho aqui relatar que meu coração já esta mais tranquilo. Meu riso mais leve, e a dor menos profunda. Cada dia que passa faz com que doa um pouco menos.  Não foi fácil, na verdade foi um pouco mais difícil do que imaginei. Mas pela graça de Deus estou me recuperando, seguindo em frente, decidindo aos pouquinhos abrir mão do que não era meu. Estou tentando lembrar que amizade é via de mão dupla, e que todo bom relacionamento saudável é algo que não se constrói sozinho, mas com ambas as partes se esforçando igualmente.  Dói, mas passa. Às vezes rápido, as vezes não. Mas com isso Senhor tem me feito mais forte, mais resiliênte e a partir de agora vou seguir com esse novo aprendizado.  E quando a dúvida bater, eu posso me lembrar > Se ela quisesse poderia ser diferente  > assim como eu posso tomar iniciativa ela também pode >...